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October 31, 2018

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Capítulo 7 - O casamento real

Olá leitor, não esqueça de deixar seu comentário no fim do capítulo. Assim eu também posso conhecer sua opinião :D

 

 Luke e Celina foram orientados por Alex a conhecer o novo chefe da A. G. A.

Arthur Pendragon era jovem, simpático e bonito. Não parecia nada com seu antecessor, Uther. A não ser pelos mesmos olhos azuis. Celina supôs que pelo sobrenome “Pendragon”, aquele homem na sua frente era o filho perdido de Uther. E que depois de muito tempo, assumiu sua responsabilidade como Guardião Chefe da A. G. A.

 Luke estava extremamente empolgado. Ele iria conhecer o chefe, isso deveria ser boa coisa com relação ao seu futuro na A. G. A. E quanto a sua parceira que jamais ria? Essa era outra missão que ele estava empenhado a cumprir.

Depois de todas as formalidades, como apertos de mão e “bom dias”, Arthur convidou Luke e Celina para sentarem numa mesa redonda no centro da sala.

Luke achou diferente que esse chefe não era do tipo que ficava atrás da bancada, pelo visto ele gostava de igualitariedade entre superiores e subordinados.

 - Então, senhor Pendragon, fomos orientados pelo Alex a falar com o senhor sobre o caso que estamos investigando.

“Senhor Pendragon, essa é nova, e estranha” Arthur pensou.

- Bom, antes de qualquer coisa, podem me chamar apenas de “Arthur”. Além do mais ainda sou muito jovem para ter um “senhor” na frente do meu nome. - Ele disse de maneira simpática. -  Mas então? O caso da explosão, é isso?

Celina observou aquela atitude com admiração, era o primeiro chefe desde que ela entrou na A.G.A (mais precisamente no ano de 1923) nenhum deles recusava essas formalidades que a hierarquia exigia. Isso era diferente, um diferente bom.

 -Sim - ela respondeu - Esse mesmo, o da explosão da boate “Pan Europa” que nos levou à perguntas interessantes no Hotel Straud.

- É, aquela noite foi inteeensa - Disse Luke, refletindo sobre algo que Arthur não conseguiu captar.

 - O que meu tutelado quer dizer - Celina apontou para Luke, como quem dizia para não fazer esses tipos de comentário na frente do chefe que acabara de conhecer. - É que: a intensidade dos acontecimentos que geraram explosão foi tão grande que a partir do interrogatório que fizemos com o filho de Vladslaus Straud, Lucca Straud, descobrimos uma ligação com um antigo caso em que trabalhei nos anos quarenta.

 - É mesmo? E que caso foi esse? Eu dei uma olhada na sua ficha e vi que já trabalha aqui há algum tempo, bastante tempo na verdade, e tem apenas 3 casos não solucionados. Impressionante.

- Sim, casos esses que ainda me tiram o sono de vez em quando. Mas o caso ao qual me refiro é o da Nosfera S.A. Lucca Straud mencionou uma empresa de nome parecido demais para ser coincidência: Noofera 21.

- Isso é nome de boate também? Porque se for já estive hehe - Luke disse rindo ao mesmo tempo que Celina revirou os olhos e Arthur respirou fundo, porém achando divertido o humor do tal Mason.

 - Ah, li sobre esse caso. Em Oasis Springs certo?

- Sim, foi num daqueles verões muito quentes da década.

- E trabalhou com um outro agente daqui também...Me fugiu o nome dele. Outro veterano.

- Agente Evans, senh...Arthur. - Celina se corrigiu a tempo.

- Ah! Mas é claro. Evans. Um cara que gosta de seguir o protocolo...Esbarrei com ele no corredor mais cedo. Chegou de uma missão hoje mesmo. E vocês precisam da minha autorização para contactá-lo…

- E levá-lo á algum lugar, se necessário for. - Celina completou.

- Bom, não seja por isso - o loiro respondeu e entregou um pedaço de papel assinado por ele.

Somente naquele momento Celina reparou que ele era parecido demais, muito mesmo, com o homem de coroa e olhar severo no quadro que pairava em cima da lareira. Aquele não era um momento para tais reflexões e questionamentos, mas a feiticeira guardou na memória a informação curiosa.

- Aqui está, meu “aval burocrático”. Só acho que não o encontrarão hoje no Q.G. Ele parecia muito abatido e então lhe dei o resto do dia para que descanse em casa.

 Mais uma atitude incomum. Uther, o pai de Arthur, nunca deu folga no tempo que foi o “Guardião Chefe”. Não tinha boa fama entre os agentes e gostava de promover segregações entre os mesmos.

 - Então esse tal Evans onde iremos encontrar?

- Aqui, amanhã nesse mesmo horário, ele deve aparecer.

- Ah, ufa. Porque eu realmente não quero mais voltar naquele hotel - Luke disse apontando para a saída do Q. G. - E nem encontrar o sumido Vlad. Melhor ficar sumido.

 -Se um dia você chegar a conhecer Vlad, Mason, Vai se surpreender com a serenidade de alguém tão velho e que tem fama de “pesadelo juvenil”. E não temos provas que ele sumiu. Os registros da agência batem com o depoimento do filho, por mais que eu não acredite em uma palavra… Vlad ainda pode estar viajando.

 -Então, que continue viajando… Você fala como se nunca tivesse tido pesadelos. Com aquelas histórias que as nossas mães nos contam. Você não teve infância não? Mais respeito aqui.

 -Infância todo mundo tem, mães que são um privilégio de poucos. Mas isso não vem ao caso. Só lembre-se de não se atrasar e de manter as janelas fechadas, Mason. Porque se Vlad não estiver viajando… já sabe.

Celina disse se despedindo do tutelado e deixando-o com uma expressão de terror na face. Ela ria por dentro, e ele não precisava saber disso.

Naquelas mesmas paredes de pedra, há muito tempo atrás…

 Enfim o dia do casamento havia chegado. O estômago de Genevieve estava indeciso. Ele não sabia se continha borboletas ou era só dor de barriga mesmo.

O momento pelo qual se preparou a vida inteira estava dando “Oi” e ela só conseguia pensar em bom…nada. Parecia que tudo tinha sumido de sua cabeça. Um branco total. Ela deveria reverenciar antes ou depois o futuro marido? E quanto aos votos? Quais eram mesmo? Ou pior… A consumação. A temida consumação.

-Geny, está tudo aí na sua cabeça, é só o nervosismo que está te deixando cega momentaneamente. - Brigita tentou acalmá-la - Vamos repassar os passos…

 -Não é só isso Brigita…só isso... você sabe. Já pensou se eu não sangrar? Já pensou se eu fizer alguma coisa errada e o príncipe nem me tocar? Ou pior… E se ele for como todos os homens que você e todas as mulheres falam… Violento? Ele pode ser tão ordinário quanto lindo.

-Ah você não está falando sério, isso aí é a insegurança falando por você Geny. - Brigita riu. - Aposto que vai ser tão bom quanto aquele beijo que ele te deu do jardim.

 Ah, o beijo. Há alguns dias, Arthur a convidou para um passeio nos bosques que próximos ao castelo, ele a levou para uma espécie de ruína, e contou-lhe que quando precisava pensar mais claramente gostava de treinar ali somente com uma espada de madeira.

Genevieve aproveitou e mencionou que em seu reino, aprendeu a arte da esgrima. Ela passava muito tempo dentro do castelo e seu pai não tinha filhos homens. Acabou que permitiu que ela treinasse junto com ele e a transformou em uma ótima espadachim. Para ela, aqueles momentos com o pai eram como uma fuga da rotina de estudos.

Arthur achou interessante o fato da educação de Genevive não ter sido tão convencional quanto aparentava...Mas, duvidava que seu pai pensasse da mesma maneira,  ele...gostou.

 Em algum momento daquele treino, Arthur se aproximou, deu-lhe um beijo quente e delicado.

-É. O beijo. - Genevieve riu, corada.

-O que foi que ele lhe disse mesmo?

 -Primeiro, se desculpou um pouco constrangido...Mas logo depois disse que não seria legal da parte dele, me beijar apenas no altar. Não foi algo que eu esperava, mas foi bom.

 -Tá vendo? Isso não é código de etiqueta principesca. Ele fez isso porque quis. Ele vai ser um bom marido Geny, vamos acreditar nisso.

 - Pode ser, mas mesmo assim, eu fico muito nervosa Brigitta - Genevieve - Por mais que eu tenha sido treinada a minha vida inteira para desempenhar o papel de uma boa monarca...Nunca saberei na prática até o dia da coroação do meu futuro marido. E isso também me apavora.

- Então deixa eu ver se entendi...Basicamente o que te apavora são três coisas: A consumação, o fato de seu futuro marido poder não ser aquilo que aparenta e...Genevieve rainha. Hmm.

- É isso mesmo.

 - Genevieve. Como você mesma disse, você foi preparada a sua vida inteeeira para ser rainha. Só o Grande Prisma seria capaz de te impedir de cumprir seu bom papel.  - Brigitta disse sorrindo - e sobre a consumação...Você recebeu orientações da Sra. Klein, é só ficar calma e não fazer nada demais…

-E o toda a corte que vai estar do lado de fora do quarto esperando o pra..pra...verificar minha pureza? Isso é de uma pressão extrema.

- Bom, não tenho argumentos contra isso. Não queria mesmo estar na sua pele. - Brigitta tocou o próprio peito, aflita pela amiga.

 As duas fizeram um silêncio gritante por um tempo, refletindo sobre tantas questões.

- Mas chega - Disse Brigitta, decidida - Vamos deixar pra nos preocupar com pelo menos uma dessas questões, na hora certa. - Genevieve a olhou com a expressão mais tranquila. Ela sempre admirou o otimismo da amiga, por mais que não acreditasse muito nele…- Me diga por que escolheu esse vestido? Ao invés dos clássicos vestidos de noiva, coloridos?

- Bom, há muito tempo atrás...Quando minha mãe chegou ao reino de meu pai, ela usava um vestido branco como esse. Depois que casaram e mais tarde quando faleceu, foi lembrada por causa desse vestido. De alguma maneira, o povo associou isso com uma promessa de paz...Aqueles tempos foram difíceis. E chamaram-na de “A rainha branca”. Por isso, por mais que não me chamem assim...quero trazer a mesma sensação para o povo de Camelot

No dia seguinte, na academia do Q.G.

 Quanto tempo Celina não encontrava Logan? Muitas décadas, pelo que ela se lembrava. Ele não tinha mudado muita coisa, o jeito turrão de socar o saco de pancadas permanecia igual. O cabelo é que estava diferente, mais despojado...Mas nem tanto. Logan sempre gostou de um estilo mais formal.

 -Detetive Evans? - Perguntou Celina com um sorrisinho tímido. Apostava mil simoleons que ninguém mais o chamava assim.

“Detetive?” pensou Luke, “Mas Arthur tinha dito Agente...Para quê precisaríamos de um detetive se isso não envolve a polícia local?” Refletiu....Esperava que Celina o esclarecesse logo dessa questão em particular.

Logan havia sentido o cheiro dela antes mesmo de ela entrar na academia. Mas só parou a sequência de socos ao ouvir aquela voz familiar. Uma certa nostalgia o invadiu. Ele virou-se com um sorriso no rosto ao encarar sua velha amiga.

 

 

1941 - Hotel Flamingo Inn, Oasis Springs

 

A decisão de contactar Celina após o episódio do desmaio não foi difícil de tomar para Logan. Ele ficou verdadeiramente preocupado com sua nova parceira. Entretanto, esse não foi o motivo principal que o fez dirigir até o pequeno hotel no centro da cidade. A investigação avançava para um campo no qual ele tentara evitar e esconder sua vida inteira. E se de fato Celina estava ali pela possibilidade de envolvimento de sobrenaturais, ele decidiu que era hora de colocar as cartas na mesa.

 

Era estranho alguém bater à porta naquele horário. Porém, Celina logo pensou que poderia ser alguém do hotel...até chegar a dois centímetros da porta.

Aquela sensação elétrica se espalhou pelo seu corpo mais uma vez, hesitou... Mas abriu a porta determinada.

- Olá, detetive Evans.

Logan se deteve na soleira da porta. Não havia parado para pensar se aquela visita era apropriada ou não… Mas Celina não parecia se incomodar com sua presença, e acenava para que ele entrasse em seu quarto. Ele retirou o chapéu e entrou.

 

 - A que devo a essa visita, detetive? Um pouco tarde, não?

- Por favor, me chame de Logan. Eu vim principalmente porque queria saber como você estava. Me deu um baita susto naquela biblioteca…

- Eu estou tão bem quanto poderia estar, obrigada. Mas vejo que não foi só isso que o trouxe aqui. - Celina notou que o Logan estava um pouco nervoso. Não era como havia se acostumado ver o detetive desde que o conheceu. O que será que ele poderia querer dizer?

 

- É algo a respeito do que descobrimos hoje no escritório? - Celinha perguntou hesitante. O que quer que fosse, parecia sério.

Logan respirou fundo e olhou pro espaço entre seus pés. Era complicado falar disso. Não que ele sentisse vergonha de ser o que era. Mas ainda assim, difícil.

- Não, não exatamente. Mas talvez… No curso dessa investigação, seja importante saber algo sobre mim.

Celina assentiu em silêncio dando espaço para que Logan falasse.

- Como disse a você, fui adotado. O orfanato em que vivi até os dez anos era em Windenburg mas não há como ter certeza que nasci lá. Segundo minha ficha, meus pais biológicos me colocaram para adoção porque já tinham muitos filhos. Muitas bocas para alimentar. Não é uma história incomum na verdade. Aos dez anos, conheci minha mãe adotiva. Ela foi até o orfanato levar doações. Por algum motivo que não entendi na época, ela me escolheu e me trouxe aqui para Oasis Springs.

- Confesso que nunca gostei dessa cidade. Sempre me senti um pouco, não sei, oprimido aqui. Mas minha mãe me explicou que Windenburg era um lugar incerto para pessoas como nós. Pelo menos naquela época.

“Pessoas como nós?”, Celina pensou. Como assim?

- Não quero parecer que estou enrolando - ele continuou  passando a mão pelos cabelos e deixando-os meio desalinhados - mas é que não falo disso há tempos. E sabendo que você trabalha para uma agência que tem interesse em sobrenaturais...

- Logan, por favor, fique tranquilo. Se é para o bem da missão que você me conte alguma coisa… Não se aflija.

Celina estava um pouco tensa com aquela situação, “O que seria tão importante para trazê-lo aqui essa hora da noite?”, se questionava.

“Logan” soava melhor que “Detetive Evans”… ela não sentiu falta das formalidades.

Logan respirou fundo e disse entre dentes:

- Existe uma boa possibilidade, na verdade é quase certo, que eu seja um licantropo.

Ele não ergueu o rosto e esperou por alguma reação. Nunca havia conversado sobre isso com ninguém além da mãe, portanto não sabia o que esperar, mas alguma reação deveria acontecer, não? Mas Celina permaneceu em silêncio.

“Um licantropo… Bem, isso explicava algumas coisas”, pensou Celina. Mas levantava outras questões. Questões burocráticas, que envolviam a agência.

Mas, esse não era um bom momento para pressionar Logan, ele havia acabado de dizer algo que parecia extremamente difícil, para uma mulher que mal conhecia… E Celina não deixaria tal atitude passar despercebida.

- A notícia boa é que o senhor não está sozinho. Existem outros por aí. - respondeu, um pouco receosa de dizer a própria origem ao homem. - E além disso, o intuito da A. G. A. é justamente proteger sobrenaturais. Então, o senhor está em boas mãos.

Mesmo parecendo receptiva ao detetive, Celina não entendia como que um licantropo não estava registrado na agência ou passou todos esses anos escondido em Windenburg...Logan Evans era mesmo um homem cercado de mistérios. Outra coisa, como assim, ele não tinha certeza? E as transformações mensais?

- Mas, se me permite a curiosidade, Logan, licantropos possuem certas… questões, digamos assim, que não passariam despercebidas a cada mês. Como poderia não ter certeza?

Logan tentou reunir seus pensamentos numa ordem lógica. Para além do fato de tratar o tema com naturalidade, Celina parecia realmente preocupada com sua condição. Ele decidiu contar o que sabia.

- Bem… eu confesso que não sei muito além do que minha própria mãe me contou, e ela também possuía apenas teorias. Ela acredita que a minha licantropia se manifesta de maneira diferente. Ela seria uma condição hereditária, não viral como a maioria. Então eu não sou afetado pelos ciclos da doença. Ela só se manifesta se eu estiver em situações de estresse.

- Certo…E alguma vez já aconteceu dessa manifestação ocorrer em local público? Porque se for como a manifestação da maioria, é algo difícil de esconder. Se me permite perguntar, como o senhor lida com isso?

Logan se endireitou na cadeira, agora, esse era um tema que o deixava mais confiante.

- Bem, os primeiros episódios começaram a acontecer logo após eu me mudar para cá. Eu era uma criança difícil. E a primeira vez que me irritei com algo, e minhas garras apareceram eu fiquei apavorado. Mas então, minha mãe foi extremamente perspicaz. Ela rapidamente compreendeu o gatilho e me ensinou várias técnicas para que eu pudesse controlar minhas emoções. Eu me comprometi realmente em aprender. Então, eu nunca tive um episódio de transformação total.

Aquilo era intrigante… Como podia um licantropo nunca ter se transformado completamente? Muitas perguntas, se o gatilho fosse forte o suficiente será que Logan se transformaria?

De qualquer maneira, Celina imaginava o quão difícil deve ter sido para Logan se “segurar” todo esse tempo. O processo de transformação poderia ser doloroso, mas também era libertador.

- E o senhor já pensou se algum dia essa manifestação o tomar por completo? Me refiro a certas precauções que devem ser tomadas caso ocorra.

- Eu penso nisso todo tempo. É como se tivesse uma espada permanentemente em cima da minha cabeça. Talvez… você poderia me ajudar? Intervir junto à Agência para que minha situação seja regularizada? Quem sabe com apoio de vocês, um pouco desse peso poderia ser retirado.

- Certamente que posso fazer algo pelo senhor. Afinal é meu dever. Se puder me passar seus dados hoje mesmo envio um telegrama ao meu superior.

Se Logan se regularizasse não seria apenas um ganho para ele, por causa de sua condição específica, mas também para a agência, que pareceu meio relapsa com esse homem em particular.

Logan assentiu e a encarou por um momento, refletindo se havia tomado a decisão certa ao confiar naquela mulher. Seus instintos diziam que sim. Na verdade, seus instintos diziam muitas coisas naquele momento, nem todas publicáveis.

- Não tomarei mais seu tempo, Celina. Nos vemos amanhã na mina?

- Certamente que sim, Logan.

Quando Logan se ergueu e caminhou até a porta, tomou conhecimento novamente do formigamento que lhe acontecia ao permanecer na presença de Celina. Ele parou. Não sabia se isso iria resolver, entretanto não custava nada tentar…

- Celina, mais uma coisa…

Celina virou-se e o encarou. A expressão no rosto dele lhe dizia com todas as letras o que pretendia. Ela nunca fugia de algo tão intrigante.

Logan se aproximou sem desviar o olhar dos olhos cor de âmbar, com movimentos lentos. Se Celina não quisesse, teria todo tempo do mundo para recusar. Mas ela também não se moveu. Ele envolveu o rosto dela com as mãos e encostou os lábios nos dela. Aquela sensação elétrica pareceu explodir e se espalhar em cada ponto onde seus corpos se tocavam.

Celina poderia dizer que se sentiu surpresa… Mas surpresa era a última coisa que passava por sua cabeça.

Talvez fosse o eletrizante rastro que o detetive deixava por onde passava, talvez fosse o tempo que Celina estava sem sentir lábios de outro homem pressionando os seus… Ela não sabia ao certo. Mas sabia que não estava com a mínima vontade de parar.

“Por que não?” Pensou. E respondeu a altura do pensamento.

De algum modo, os lábios se desconectaram em busca de ar. Nessa fração de segundo, vozes alteradas em um dos quartos vizinhos chegaram até eles. Um casal brigando? Não importava. Celina se afastou relutante, tentando lembrar exatamente quem tinha inventado normas de conduta. Se ela descobrisse, essa pessoa estaria em maus lençóis.

- Talvez fosse mais prudente o senhor ir embora, detetive.

Ainda ofegante, Logan se afastou um passo e alcançou seu chapéu.

- Sim, acredito que sim. - respondeu e ficou um longo minuto em silêncio.

-Quando o senhor quiser. - Celina disse olhando para a porta, que não estava trancada.

- Certo. Até amanhã, agente Anderson. Tenha uma boa noite.

Com uma mesura meio apressada, ele saiu pela porta. Para ele, se relacionar com mulheres sempre fora um momento tenso. Mas com Celina, que sabia o que ele era, sentiu boa parte dessa tensão se esvair durante aquele beijo. Uma sensação diferente de tudo o que já havia sentido.

O que tinha acontecido ali era extremamente simples de perceber. Porém,  Celina não encontrava explicação lógica. Se sentia confusa, intrigada e com gosto de quem quer mais…. Quem era aquele homem de verdade? Um licantropo eletrizante? Um detetive misterioso? Celina não sabia. Mas seu interesse cresceu mais naquela noite.

 

 - Quanto tempo, não? A última notícia que eu tive sua foi ano passado quando. Eu soube que você foi ao terceiro império...Algo relacionado com zumbis, é isso?

- Isso mesmo - Respondeu Logan, amistoso - Tivemos que colocar umas plantas anti-zumbis em todas as casas de Moonlight Falls, mas valeu a pena. E o que a trás aqui Celina? Coincidência ou Missão?

“Celina? Qual era o nível de intimidade que esses dois tinham?” Estavam próximos demais para apenas dois colegas de trabalho...Luke podia ser meio devagar, mas não era burro.

 - Podemos dizer que é um pouco dos dois, Logan. Na verdade tem a ver com sua última missão. Mas é muito bom revê-lo.

- Cof cof, não vai me apresentar pro teu colega não? C-e-l-i-n-a? -Luke se intrometeu e soletrou o primeiro nome da feiticeira beeem lentamente. Se esse tal Evans podia chamá-la assim, por que ele não?

 - Ah, sim claro. - Celina se concentrou - Esse é o meu mais novo tutelado: Luke Mason.

- E aí? Tranquilo? - Luke acenou com a cabeça para Logan estendendo a mão para um cumprimento. Logan sabia do programa de Tutelados na Agência, só não sabia que Celina havia sido escolhida para tal cargo. Isso era bom, significava que a promoção dela estava mais perto do que imaginava.

- Tudo. Como pôde ouvir, agente Logan Evans. - Ele respondeu, apertando-lhe a mão.

- Bom, deixando de lado as formalidades, Alex me informou que seu último caso pode ter relação com o que eu estou investigando. Parece que você prendeu uma mulher em Willow Creek que pode saber algo a respeito.

- Sim, Rosana Wilker. Ela gerenciava uma empresa de segurança pessoal. Mas nos últimos tempos os negócios dela, digamos… variaram. Mas, vamos creio que essa vai ser uma conversa longa. Podemos nos encontrar depois que terminarem de treinar.

 - Certo, talvez eu vá demorar um pouco aqui. No mesmo lugar da última vez? - Celina perguntou, certa de que a única pessoa capaz de superar sua memória de elefante, era Logan. Com certeza ele se lembrava.

-Claro, deve estar diferente desde 61. - Logan sabia a que lugar Celina se referia, não poderia esquecê-lo, nem todos os momentos agridoces vividos ali. Mas principalmente se lembrava que era um local isolado no qual não seriam perturbados por ouvidos curiosos. Com certeza era um assunto sério.

 “Última vez? 61? O que era isso? Código pra oba-oba?”. Seja lá o que fosse...Luke se sentia um peixe fora d'água enquanto Celina e Logan se comunicavam. Aparentemente, tinham muito pra contar um ou outro… Ele decidiu parar de ouvir aquela conversa quando Celina deu corda pra esse Evans.

Ele parecia boa gente, mas não muito papo ao tutelado ali. Diferente de Arthur que o deu a oportunidade de algumas palavras.

  - Então até à noite, Agente Anderson. - Logan se despediu, deixando os dois sozinhos na academia. - Mason.

Celina o observou sair, era realmente muito bom rever o velho amigo.

- Onde paramos? - ela perguntou.- Luta greco-romana.

- Isso mesmo, muito contato físico. Pode vir. - Ele respondeu e a olhou com um sorrisinho maroto. Ele não havia esquecido do beijo, e sabia que no fundo, ela também não.

- É melhor manter TODOS os seus membros no lugar certo, Mason. Se não vai se arrepender.

Jardins do castelo Camelot, dia do casamento.

 Reis e rainhas junto com suas cortes imensas vieram de todo canto para o casamento, por alguns segundos, Merlin pensou que não caberia toda aquela gente no castelo. Ele passou o dia trabalhando, ia de cima abaixo no castelo, levando pratos, flores, vinho e o mais importante...Dando toda assessoria ao príncipe. Porque por mais que ele tentasse não aparentar, também estava nervoso. Afinal, ele nunca tinha se casado antes.

Preocupava-se também com a princesa, teria que ser o mais gentil possível com ela. A consumação era constrangedora para ele, mas em um nível muito maior pra Genevieve, ele supôs.

 Deu tudo certo e no momento dos votos nenhum dos dois errou a fala. Ambos repetiram a mesma frase no final do texto:

“Você é sangue do meu sangue e ossos dos meus ossos. Dou-lhe meu corpo, para que nós dois sejamos um só. Dou-lhe meu espírito, até o fim de nossas vidas”

*Nota: Esse juramento foi inspirado da série de livros chamada "Outlander" da autora Diana Gabaldon. Nela, os personagens principaisn James e Claire, fazerm este juramento ao se casarem. Fiz essa pequena homenagem aqui nas "Crônicas de Avalon" pra demonstrar a minha admiração por essa obra.

 Arthur, antes de selar seu compromisso com um beijo nos lábios, beijou Genevive na testa, como sinal de respeito. Ela, apreciou o gesto, e apertou as mãos de Arthur.

 Quando seus lábios se tocaram dessa segunda vez -graças ao príncipe- quentes, Genevieve quase esquece de toda a problemática da consumação. Parecia que só existia aquele momento no mundo.

Arthur, não queria soltá-la. Mas achou conveniente, já que precisavam curtir um pouco da festa. Eles abriram os comes e bebes com a tradicional primeira dança dos noivos.

 Dançaram até mais do que estava na programação.

 Mas ninguém podia culpá-los, Genevieve se perdia no azul dos olhos de Arthur, e ele, bem...Ele gostava de sentir a pele macia dela.

Também achava graça, a vermelhidão que nunca passava do rosto da princesa toda vez que o castanho dos seus olhos encontravam o azul do dele.

 Findaram a noite, observando a festa antes de se retirarem.

Arthur ria dos malabaristas e do homem que engolia espadas. O bobo da corte também era divertido. Genevive, não estava acostumada com esse tipo de entretenimento, achou tudo muito peculiar.

 Ela estava mais interessada do cortejo que Sir Gwaine dispensou a Brigitta, aparentemente, o purê estava muito mais atraente.

  Mas a dama de companhia parecia não se incomodar com o fato de ser trocada pela comida.

 A parte mais divertida terminou com a lua banhando toda a festança com seu brilho prateado.

 

Continua...

 

Agraço à Malú Fogaça que me cedeu a sua querida sim Katy pra interpretar a dama de companhia da Genevieve :D Ela faz parte do Blog "Histórias da Mah" Confiram lá :)

 

No próximo capítulo...

 

 

 

 

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